19 abril 2008

CREPUSCULAR

Uma túnica negra cobre as nuvens do ocaso. Puxo-a, de um e outro lado do horizonte; e as nuvens ficam nuas, como grandes seios de água, à espera da noite. Então, puxo-as para terra, pelos seus mamilos de água, e colo-as às colinas. Mas as nuvens não gostam da terra; desfazem-se em névoa; e vejo-as escorregarem para o fundo dos vales, onde é noite, e elas se envolvem na túnica negra dos lagos, até voltarem ao céu.

Nuno Júdice

1 comentário:

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá Amigo, bela postagem... Parabéns!
Beijinhos,
Fernandinha